Thursday, January 2, 2014

Tela para a Criação de Modelos de Negócio

O modelo mais popular para a criação de Modelos de Negócio é o "Business Model Canvas" desenvolvido pelos autores Alexander Osterwalder e Yves Pigneur.

Video explicativo sobre o modelo.



Informação adicional no site oficial.

Link para download da tela em português.

Tuesday, January 29, 2013

Como começar um projecto de produção de ervas aromáticas

O Cantinho das Aromáticas explica!

O objectivo da criação de uma fileira de produção de PAM em Portugal visa quase exclusivamente o mercado de exportação, com o estabelecimento de alguns produtores, numa rede que partilha informação, investigação, custos de logística, tornado mais competitivo o produto final. O caminho sonhado é o da primeira fileira mundial integralmente BIO da Europa.
A área inicial ideal, de acordo com a nossa experiência, são 2 hectares efectivos de produção, com exploração em modo de produção biológico de 4-6 espécies.
É necessário realizar uma ou mais análises de solo na exploração, de forma a tomar um conhecimento profundo do solo e de como proceder à sua correcção e fertilização.
Um dos primeiros passos é contactar um gabinete de projectos, como este: http://www.espaco-visual.pt/ ou este: http://www.manuelmarques.net/ de forma a que possa esclarecer quais as condições de acesso ao PRODER.


A certificação em modo de produção biológico é fundamental. Deve contactar uma empresa operadora em Agricultura Biológica (ECOCERT, SATIVA, CERTIPLANET) para certificar os cultivos, é a única forma de produzir com rentabilidade.
O voluntariado no Cantinho das Aromáticas é altamente recomendável, pelo período que cada um entender, de forma adquirir experiência produtiva. As melhores alturas do ano são a Primavera/Verão. Mais sobre o voluntariado aqui: http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com/2009/04/voluntariado-no-cantinho-das-aromaticas.html


Os investimentos necessários para instalar 2 ha de produção de PAM são estes, grosso modo:
Armazém de armazenamento para as colheitas (o nosso tem 300 m2). A área ideal de armazém deverá ser igual ou superior à nossa e com um pé direito igual ou superior a 3,5 metros.
Deverá ser desenhado obedecendo a uma linha contínua de produção, contemplando:


Armazém
Cais de descarga
Área de recepção de matérias-primas e secador
Área de máquinas de processamento
Área de armazenamento
Porta de saída
Casa de banho completa
Casa de arrumos
Pequeno escritório
Chão lavável

Secador Engº Rui Freitas 93 840 59 82, rui.freitas@wac.pt http://www.dabacori.pt/secagem_de_ervas_aromaticas.html

Plantas a produzir. Estas espécies podem e devem ser produzidas pelos novos produtores que entretanto em 2012 se juntarem à fileira:


Plantas a produzir
Nome científico
Compasso plantação
plantas/ha efectivo*
Erva-cidreira
Melissa officinalis
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Estragão-francês
Artemisia dracunculus
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Hortelã-pimenta
Mentha x piperita
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Hortelã-vulgar
Mentha spicata
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Manjerona
Origanum majorana
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Salsa
Petroselinum crispum
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Segurelha
Satureja montana
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500
Tomilho-vulgar
Thymus vulgaris
camalhões 1 metro largura; 9 plantas/m2; 3 linhas; 30 cm entre plantas e entre-linhas;
64800 a 67500


* O total de plantas é obtido, regra geral, multiplicando por um factor de 0,72 a 0,75, de forma a descontar caminhos, muros, etc.


O preço para cada planta é de 0,30 € + IVA (6%). Produzidas pelo Cantinho das Aromáticas. Todas as plantas são certificadas BIO. Seguem em tabuleiros alveolados, sem transporte incluído. A encomenda para este tipo de material deve ser feita, para estas quantidades, com 120-150 dias de antecedência, a contar com a data de formalização da mesma.
Não haverá entrega de plantas no período que vai de Novembro a Fevereiro. A maior parte das plantas só se encontrará disponível entre os meses de Abril a Outubro.

O transporte fica normalmente mais barato se for feito por uma empresa da vossa região. Se não conseguirem, enviaremos posteriormente preço para o mesmo. A entrega de plantas é normalmente escalonada, sendo as datas pré-acordadas. A formalização da encomenda envolve o pagamento de uma entrada inicial de 30% do valor total da encomenda (+ IVA) e o pagamento do resto contra-entrega. A permanência em viveiro de plantas por tempo superior ao previsto não será da nossa responsabilidade.
De forma a construir uma verdadeira arquitectura de produção holística, prevenindo ou evitando pragas e doenças, deverão ser instalados "jardins" de várias espécies em consociação nas envolventes dos cultivos. Boa gestão da vegetação circundante = meio de luta cultural = luta biológica = limitação natural das pragas e doenças.

Máquina colheita (Ver características no ficheiro anexo); A que temos é o modelo H140D, obtida nesta empresa japonesa: http://newcentury-japan.com/page4.php;

Máquinas diversas (consultar Europrima http://www.europrima.rs/) e Oficinas 16 Irmãos http://www.16irmaos.com/servicos.asp);

Balança;

Máquina coser sacos http://www.logismarket.pt/sociedade-victor-lda/maquina-de-fechar-sacos-atraves-de-cosedura/1175161791-1584223-p.html;

Telas solo (preço/m2 cerca de 0,35 € a 0,45 € + IVA 23%); http://www.portugalio.com/guerner-irmaos/;

Rega (utilização de tubo autocompensante, com gotejadores 33 x 33 cm, que debitam 4litros/hora (no nosso caso) e toda a estrutura que compõem uma rega; (Engº Pedro Rego 969012400);

Mão-de-obra;

Correctivos (de acordo com a análise do solo);

Preparação do solo.

Nas contas de cultura, utilizámos estes valores de referência:



Plantas a produzir
Nome científico
produção fresco ton/ha/ano
produção seco kg/ha/ano
peso perdido %
cortes/ano
Erva-cidreira
Melissa officinalis
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 6
Estragão-francês
Artemisia dracunculus
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 5
Hortelã-pimenta
Mentha x piperita
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 6
Hortelã-vulgar
Mentha spicata
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 6
Manjerona
Origanum majorana
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 5
Salsa
Petroselinum crispum
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 6
Segurelha
Satureja montana
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 5
Tomilho-vulgar
Thymus vulgaris
6 a 8
1800 a 3200
60 a 70
4 a 5

Os proveitos estimados, de acordo com a nossa experiência nos últimos anos, são os seguintes:


Plantas a produzir
Nome científico
Preço médio exportação (kg)
Tempo médio vida da cultura
0
0
Planta inteira
Folha
0
Erva-cidreira
Melissa officinalis
4,00 €
6,00 €
4 a 5 anos
Estragão-francês
Artemisia dracunculus
7,00 €
10,00 €
4 a 5 anos
Hortelã-pimenta
Mentha x piperita
4,00 €
6,00 €
2 a 3 anos
Hortelã-vulgar
Mentha spicata
3,00 €
6,00 €
2 a 3 anos
Manjerona
Origanum majorana
4,00 €
6,00 €
4 a 5 anos
Salsa
Petroselinum crispum
4,00 €
6,00 €
2 anos
Segurelha
Satureja montana
4,00 €
6,00 €
4 a 5 anos
Tomilho-vulgar
Thymus vulgaris
4,00 €
6,00 €
4 a 5 anos

O preço também pode variar, de acordo com a qualidade apresentada.


Expectável que os custos representem 1/3 a 1/2 dos rendimentos, de acordo com a eficiência apresentada no processo produtivo.
A feira da Biofach, em Nuremberga, Alemanha, em Novembro de cada ano é o marco mais importante neste sector: http://www.biofach.de/en.

Outros produtores a visitar:

Maria Barbara Adriao, mbarbaradriao@hotmail.com - Celorico de Basto
Jorge Pedro, jorgecostapedro@gmail.com - Cantanhede
Nuno Azeredo, carlosnunoazeredo@gmail.com - Baião
Armindo Oliveira, armindomcoliveira@gmail.com - Famalicão
Francisco Sottomayor, sottomayor.francisco@gmail.com - Maia
Joaquim Carinha Cunha, joaquimcunha@montedomenir.com - Alentejo
Herdade do Gamoal, info@herdadedogamoal.com - Alentejo
Aromaticland, pedrobelo@aromaticland.com - Alentejo

O importador em França é esta empresa: http://www.herbier-du-diois.com/

O contacto da responsável pelas compras é:
Emilie Rolland Emilie@herbier-du-diois.com

Existem diversas outra empresas no sector, dispostas a comprar matérias-primas Bio de boa qualidade, em Espanha, França, Itália e Alemanha. Ao longo destes anos já estabelecemos contactos com todas estas:


Galke (http://www.galke.com/), Soria Natural (http://www.sorianatural.es/), Arcadie (http://www.arcadie-sa.fr/), Weleda (http://www.weleda.com/), Martin Bauer (http://www.martin-bauer-group.com/en/martin-bauer-group.html); Herbes del Moli (http://www.herbesdelmoli.com/); Demar (http://www.demarsnc.com/).

Aconselho vivamente a aquisição dos seguintes materiais de consulta:


  • DVD interactivo PAM - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=47&products_id=519

  • Guia de produtos autorizados em agricultura biológica 2009/2010 - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=49&products_id=589

  • Revista O segredo da Terra - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=49&products_id=697

  • A Farmácia Verde - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=29&products_id=807

  • Cultura e Utilização das Plantas Medicinais e Aromáticas - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=29&products_id=878

  • Plantas para Curar Plantas - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?products_id=701

  • O Poder das Ervas Aromáticas - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=29&products_id=71

  • Plantas aromáticas em Portugal – Caracterização e utilizações - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=29&products_id=525

  • Plantas e Produtos Vegetais em Cosmética e Dermatologia - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?cPath=29&products_id=523

  • Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?products_id=524

  • Plantas na terapêutica, farmacologia e ensaios clinicos - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?products_id=698

  • Plantas Medicinais da Farmacopeia Portuguesa – Constituintes, Controlo, Farmacologia e Utilização - http://loja.cantinhodasaromaticas.pt/loja/product_info.php?products_id=804



    Deve consultar o nosso blogue em http://cantinhodasaromaticas.blogspot.com para se manter informado sobre as nossas actividades e cursos.

    Para inscrições no programa de repovoamento rural Novos Povoadores (gratuita): http://novospovoadores.pt

    Thursday, January 20, 2011

    O processo de inovação em meio rural

    1. O processo de inovação em meio rural


    Os territórios mais sensíveis estão à beira O processo de “glocalização”: entre o constrangimento e a oportunidade.de um ataque de nervos. A concorrência internacional torna-os mais vulneráveis. O mercado omnipresente diz-lhes que estão fora de prazo. Sobe o número de regiões carenciadas e também o custo de oportunidade da despesa pública. Face à penúria de meios sobem os critérios de elegibilidade e de economicidade da despesa. A contingência apanha-os desprevenidos e não sabem lidar com os riscos globais. É certo que, ao mesmo tempo, pela força das coisas, ganham uma resiliência acrescida. A iminência de um limiar de não-retorno torna-os mais resistentes, descobrem o valor da identidade e a importância dos recursos simbólicos. Mas nem todos têm autoridade que os represente, muitos são territórios silenciosos e sacrificados. Territórios devolutos, em longo processo de agonia e desertificação. Entretanto, quase ao mesmo tempo, a sociedade da informação e do conhecimento, que se instala vertiginosamente, traz à tona da água a experiência de territórios-problema que paulatinamente conseguem sair da situação em que se encontram e transformam um constrangimento numa oportunidade. Redescobrem e reinventam recursos e potencialidades através do que poderíamos designar um processo bem sucedido de inovação territorial. Nessa trajectória, o programa Leader não apenas desempenhou um papel instigador essencial como revelou, também, a natureza dos seus próprios limites na consolidação desse processo.

    2. Os equívocos do processo de inovação territorial.


    O processo de inovação territorial padece de muitos equívocos, sobretudo em zonas desfavorecidas. O programa Leader e a sua metodologia são vítimas de muitos destes equívocos, mas também contribuíram para outros tantos equívocos. Vejamos os principais:

    - a metodologia Leader é uma “ligação simples intra-programa”, não é uma “ligação complexa inter-programas”;

    - a inovação em micro-escala, por mais importante que seja, não consegue contrariar os custos de contexto de escala superior;

    - a inovação territorial não se confunde com a inovação tecnológica, do mesmo modo que não se deve confundir um território relacional com uma comunidade virtual;

    - a tentação de queimar etapas no desenvolvimento do ciclo de inovação não se compadece com a complexidade dos processos participativos e de aprendizagem colectivos;

    - a importação de metodologias e processos inovadores por intermédio da cooperação transnacional defronta-se, amiúde, com a resistência dos actores locais e não substitui o grupo e o projecto de referência local;

    - o processo de inovação territorial é contraditório e desencadeia conflitos de interesse que não devem ser “varridos para debaixo do tapete” mas usados para melhorar os procedimentos de governança;

    - a participação e a montagem de redes virtuais podem ter “custos reais” absolutamente disproporcionados para a gestão quotidiana de uma associação de desenvolvimento local ou rural;

    - o processo de inovação faz-se por patamares de crescente interdependência com sub-sistemas de nível superior, assim o “up-grading” do processo pode ser interrompido a qualquer momento por razões conjunturais;

    - a composição sócio-profissional e técnica e a estrutura organizacional das associações de desenvolvimento não nos parecem conforme com as necessidades específicas do processo de inovação territorial, no entendimento compreensivo que aqui lhe atribuímos; basta referir o défice de ligação às estruturas de investigação.

    3. Os factores contextuais favoráveis ao processo de inovação territorial.


    Na acepção compreensiva e transdisciplinar que aqui lhe damos, o processo de inovação territorial coloca a inovação no lugar geométrico de um quadrado composto pela economia da produção (alimentar e não-alimentar), pela economia da conservação (dos recursos naturais e ambiente), pela economia da recreação (do turismo e lazer) e pela economia da solidariedade (das condições de vida e de trabalho). A actividade criativa do grupo de acção local alargado deve estar permanentemente orientado para a identificação e promoção destes projectos multifuncionais a quatro dimensões. Nesta acepção, a ligação complexa entre os quatro vectores é decisiva para a natureza, autonomia e sustentabilidade do processo de inovação. Vejamos alguns factores contextuais favoráveis ao processo de inovação territorial:

    - é fundamental introduzir a investigação na identificação, no desenho e na monitorização do projecto multifuncional, de modo a poder alimentar, de forma continuada, o processo de inovação;

    - é fundamental mobilizar e convidar novos “stakeholders” para os projectos mais inovadores, mesmo que sejam exteriores aos territórios em questão;

    - é fundamental que a metodologia Gal/Pal seja extensiva aos três eixos e objectivos do plano de desenvolvimento rural, uma vez que, assim, aumentam as possibilidades de sucesso do processo de inovação, isto é, o número de inovações produzidas;

    - é fundamental o reforço das redes temáticas de cooperação transnacional, tendo em vista dispor de boas práticas de outras experiências;

    - é fundamental encontrar e desenhar ligações virtuosas às universidades e escolas superiores agrárias, tendo em vista promover não apenas um banco de ensaios do processo de inovação como, também, uma nova governança do processo de inovação territorial;

    - é fundamental a criação de um nível federativo regional das associações de desenvolvimento, tendo em vista não apenas o lançamento de uma plataforma de assistência técnica e tecnológica aos associados como, também, um grau elevado de auto-regulação e reflexividade, indispensáveis à sustentação do processo de inovação territorial.

    4. O desenvolvimento do processo de inovação em meio rural.


    Para além dos factores contextuais e extrínsecos antes referidos, o desenvolvimento do processo de inovação supõe que sejam atendidos certos requisitos internos ou intrínsecos ao ciclo de inovação, assim:

    - a constituição do grupo de acção local (GAL) tem que ser muito mais criteriosa e a sua composição técnico-política deve reflectir e antecipar as necessidades do próprio processo inovatório; quer dizer, o ciclo de inovação implica e questiona a convencional estrutura e organização das associações de desenvolvimento, em especial, a sua crescente “funcionarização” burocrático-administrativa;

    - a elaboração de um diagnóstico para levantar as necessidades de inovação e o respectivo plano de acção tem que ser, simultaneamente, micro-cirúrgica, transdisciplinar e criativa, tendo em vista uma primeira identificação das potenciais ligações virtuosas;

    - o dispositivo comunicacional do GAL tem que ser, igualmente, muito inventivo; internamente visa motivar e mobilizar os agentes para os processos participativos, externamente visa criar uma imagem positiva e favorável do empreendimento junto dos seus “stakeholders” e da opinião pública em geral;

    - a montagem ou engenharia do processo inovatório é a tarefa mais difícil de realizar porque exige a convergência de muitos contributos e a análise fina das interdependências técnicas e sistémicas entre os quatro cantos do quadrado virtuoso já antes referido: a economia da produção, a economia da conservação, a economia da recreação e a economia da solidariedade; estas ligações são a matéria-prima necessária para uma boa carteira de projectos multifuncionais;

    - uma vez realizado este inventário é necessário convencer os agentes sócio-económicos da bondade destas ligações virtuosas/projectos candidatáveis, de modo a que o plano de acção seja não apenas verosímil mas, também, mobilizador e verdadeiramente interactivo no seu ciclo de desenvolvimento;

    - uma vez delimitada a carteira dos projectos multifuncionais com potencial inovatório efectivo e concretizadas as candidaturas, é necessário implementar todo o processo de acompanhamento-monitorização-investigação, isto é, conceber um factor de instigação permanente da inovação, por exemplo, um núcleo técnico criativo que seja capaz de transformar as ligações virtuosas em novos projectos e produtos inovatórios; este é o mecanismo endógeno por excelência do processo de inovação e o seu momento mais crítico;

    - se este processo de instigação for bem sucedido, o que não está garantido, o ciclo da inovação pode continuar, desta vez em redor da codificação de boas práticas, do registo de patentes, da demonstração e da transferência de resultados e, finalmente, de uma imagem de reputação do território, misturada com novos elementos simbólicos, que atraem novas iniciativas e novos empreendedores.

    Dito isto, não nos parece que estejam reunidas, neste momento, as condições mínimas, objectivas e subjectivas, para despoletar um processo inovatório num território rural desfavorecido, tal como aqui o imaginámos. De facto, a gestão de restrições de todo o tipo (institucionais, burocráticas, financeiras, técnicas, sociais) condiciona e prevalece sobre a gestão por objectivos e sobre o processo de planeamento na sua inteireza e complexidade. Quanto ao programa Leader não nos parece que ele tenha arcaboiço para liderar o processo inovatório tal como aqui o descrevemos nem essa é a sua vocação, não obstante as virtudes da metodologia Gal/Pal. Aos territórios rurais falta autoridade, competência e permanência. Por isso, é preciso dizer às múltiplas associações que observam, habitam e compartimentam o mundo rural que não basta elaborar sobre uma teoria da legitimação que só diz respeito ao seu interesse particular, é preciso, também, perguntar-lhes de que modo desejam contribuir para uma abordagem compreensiva e integrada dos espaços desfavorecidos em benefício do interesse geral e comum.

    Prof António Covas
    Ovibeja, 4 de Maio 2006